fragmentos
poesia quase todo dia
maio
0:00
-1:46

maio

poema de eduardo furbino
o cavaleiro azul de wassily kandinsky

recentemente migrei meu podcast para o substack. antes, ele era hospedado pelo spotify. manter meus textos e áudios sob o mesmo teto vai facilitar muito minha vida, permitindo que eu grave episódios com mais frequência. então, se prepare para o que está por vir :)

se preferir, ouça o podcast no spotify, apple podcasts ou em qualquer outro app

para dar início, estou te enviando hoje maio, um de dois poemas que escrevi abordando o desejo e, mais do que isso, as dificuldades do desejo. esses dois textos foram feitos para a mesma personagem.

maio é um poema pelo qual tenho grande carinho, devido às circunstâncias que o inspiraram e as referências que carrega. foi escrito quando eu terminava de ler paixão simples e o jovem da annie ernaux (motivo pelo qual há uma referência a “maio de 68” aqui).

como o envio de episódios de podcasts por email ainda é algo novo para mim, responda abaixo o que acha da ideia e me ajude a evoluir esse formato. quero fazer algo que faça sentido para mim e para você :)

Carregando...
você me diz que ninguém
nunca prestou atenção
			na sua fome
eu te respondo
com a mão sobre o ventre:
eu te devoraria, mas não o alimento
aos outros só sei dar
meus restos

assumo uma postura
		altiva e esguia
estamos numa dança
embora não pareça
(uma dança é uma repetição de pés
mas aqui pisamos tudo
pela primeira vez)

é maio de 1968
a vida é um massacre
é manhã de abril no brasil de 64
e ainda é possível ser feliz
por mais um minuto

certas vezes tenho vontade de te contar
sobre o que não amo
de te apresentar um diário
não do que odeio
mas do que nunca cheguei a gostar
muitas vezes gostaria
de escrever seu nome ali
mas faltam páginas

reguei a terra com seu suor
para que eros pudesse renascer
				como uma flor
certas flores são comestíveis
nos diz este documentário na tv
algumas delas
com a boca

o alimento da vida são outras vidas
você ainda tem fome e entende
que estar satisfeito é uma dádiva
sim, talvez
mas é também uma maldição
para aquilo que se come

é aqui que fica claro o que quero

eu te devoraria
para te dar assim a chance
de me dar o troco
ao se lembrar de mim
e amaldiçoar meu nome
1 Comentário
fragmentos
poesia quase todo dia
este é o poesia quase todo dia, um podcast onde te entrego poesias e prosas curtas escritas por mim, eduardo furbino, um escritor & artista visual mineiro que vive em são paulo. vez ou outra, leio também textos de pessoas que me inspiram. veja mais poemas no instagram: @edufurbino
Ouça em
App Substack
RSS Feed
Aparece no episódio
eduardo furbino